CONTEÚDO DA UNIDADE III DE REDAÇÃO
--------------------------------------------------- INTRODUÇÃO
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Por que estudamos Redação?
Vivemos
numa sociedade grafa, ou seja: o poder se exerce através da palavra escrita,
mais do que pelo que é falado. É a palavra escrita que cria documentos, ordens,
registros, que nos imortaliza aquilo que dizemos e que nos dá passagem para
competirmos de igual para igual com aqueles que também detêem tal poder. Com
bases nessas e outras prerrogativas, o Ministério da Educação sancionou o
ensino da disciplina Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, comumente chamada
Redação. Assim, torna-se direito do aluno de escola pública aprender a dominar
as ferramentas de escrita disponíveis hoje, que vão muito além do simples uso
do celular ou das redes sociais.
Num
mundo globalizado e repleto de informação, é preciso fazer bom uso dela, mas
também saber produzí-la, quer seja para conquistarmos o nosso espaço na
sociedade e no mundo, quer seja para expressarmos o que sentimos. E é por causa
da diversidade de usos do texto que existem diversas formas de texto: alguns
são literários, outros objetivos, outros opinativos, e outros lidam com as leis
que nos regem. Como domínio básico, o Parâmetros Curriculares Nacionais
determinam que ao final do Ensino Médio todo aluno seja capaz de redigir bem
textos argumentativo-dissertativos, e para medir a qualidade do aprendizado dos
estudantes foi criado o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
O
Enem é composto de questões que abordam múltiplos assuntos, além de uma prova
de redação, na qual o estudante deve escrever sobre um tema anunciado apenas
durante a prova. A redação torna-se um desafio maior se o estudante nunca
estudou, em seu ensino médio, como se produz uma redação minimamente aceita, ou
se os professores faziam vistas grossas a imperfeições. Por isso, nossa
proposta na disciplina será prepará-los para obterem as melhores notas
possíveis em redação nos padrões cobrados pelo Enem, acreditando que este é um
primeiro passo para conquistas que poderão garantir uma melhor qualidade de
vida, como é direito de todos nós.
Esta
apostila se baseia em textos que receberam pontuações máximas em edições do
Enem, pertencentes a alunos de escolas públicas, assim como você. Além disso,
possui diversas atividades, algumas das quais podem possuir valor avaliativo
para a disciplina Redação (verifique isso com seu professor). E, por fim, serão
oferecidas dicas de como melhorar a qualidade de seus textos escritos. Mas nem
apostila, nem a escola fazem milagre: é preciso que você se esforce, que
pergunte, que exercite, que dê o melhor de si, e só aí poderá despertar o seu
verdadeiro potencial de escritor competente e convincente.
------------------------------- ATIVIDADES DE EXERCÍCIO DE ESCRITA
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Ao
realizar as atividades abaixo, não se preocupe em construir textos prontos.
Todos estamos aqui para aprender. No futuro, noutras unidades de estudo, nos
aprofundaremos nos temas. Por enquanto, apenas responda às atividades em seu
caderno, numerando-as corretamente e sem destacar para o professor verificar a
realização de cada uma delas.
1. ESTUDO DE TEXTOS
Um dos passos mais importantes para
construção uma boa redação é tomar contato com outras redações. Se você tiver
acesso à internet procure o google e nele digita "dissertação mulher no
mercado de trabalho". Você verá diversos textos que se não são perfeitos
ao menos vão te mostrar como dissertações são escritas. Esse tipo de pesquisa
se chama fortuna crítica, e você deve fazer a maior fortuna possível,
pesquisando vários textos, para que possa ter uma maior compreensão sobre como
é uma dissertação argumentativa.
Contudo, fortuna crítica não deve ser uma
fonte de cópia. Quando você for elaborar o seu texto, não tenha outros textos
juntos e não faça consulta. Ao invés disso, escreva apenas aquilo que tiver
sido fixado em sua memória, porque se fixou é importante o suficiente para
falar sobre. Agora, mãos à obra e faça algumas pesquisas!
2. TEMPESTADE DE IDEIAS
Antes de iniciar um texto é útil retirar
algum tempo para pensar sobre o assunto, sem escrever sobre ele. Depois disso,
escreva numa folha de papel vários conceitos (resumidos em uma ou até três
palavras) que se relacionem com o assunto, mesmo que lhe pareçam um pouco
absurdos. Neste momento, você não deve julgar sua lista, apenas fazê-la. Se um
item da lista lhe parecer bobo, anote-o mesmo assim, pois futuramente você
poderá desenvolver ideias interessantes sobre eles. Essa atividade, chamada
tempesta de ideias, tem a função de dar liberdade criativa ao autor, e quanto
mais ideias forem surgindo, melhor. Algumas serão descartadas no futuro, mas
não faça isso com nenhuma antes de concluir uma lista como uma boa quantidade.
Para facilitar sua vida, desta vez
dividiremos o assunto em 4 partes e citaremos tópicos que podem ser usados para
cada uma delas. Fixaremos o número 10 apenas como um padrão de produção, mas
quando estiver fazendo suas listas sobre outros assuntos não precisa
limitar-se. Contudo, esses tópicos NÃO são obrigatórios e você só precisa usar
os que quiser e aqueles dos quais conseguir lembrar sozinho, sem consulta.
A.Problemas relacionados à mulher no mercado de trabalho
I. Salários mais baixos que os dos
homens
II. Menos acessos a promoções de
cargo (ou seja: mudança para cargos maiores)
III. Auxílio-maternidade (algumas
empresas hesitam em contratar grávidas ou em pagar a funcionárias que não estão
presentes durante a maternidade)
IV. Assédio moral (há mulheres que
ainda sofrem ataques verbais com palavras e piadas ofensivas por serem
mulheres, mesmo no trabalho)
V. Assédio sexual (às vezes favores
sexuais são utilizados ou exigidos como moeda de troca no trabalho, embora isso
seja ilegal)
VI. Baixo reconhecimento (embora em
alguns cargos mulheres trabalhem mais que os homens, não recebem o mesmo
reconhecimento)
VII. Ciclos menstruais (podem
atrapalhar, através de cólicas, o bom-andamento do trabalho da mulher)
VIII. Discriminação por fragilidade
física (algumas funções ou ações podem ser negadas à mulher por ela ser
considerada fisicamente inferior ao homem; até onde isso é verdade?)
IX. Código de vestimenta (alguns
trabalhos podem exigir vestimentas ou maquiagem diferenciada das mulheres, e
essas exigências podem ser abusivas)
X. Código de vestimenta religioso
(algumas religiões exigem das mulheres vestimentas que não são aceitas por
algumas empresas, como o uso de saias)
B.Causas desses problemas
I. Fatores históricos e culturais
(as mulheres sempre sofrerem esses problemas, e por isso eles continuam a
ocorrer)
II. Descumprimento de leis (há
empresas que ignoram o direito da mulher não ser discriminada por seu sexo)
III. Empresas focadas em produção
(as empresas que exigem apenas resultado normalmente se importam menos com o
bem-estar de seus funcionários, embora essa realidade esteja mudando
gradualmente)
IV. Preconceito e discriminação de
gênero (há preconceitos - ou seja, ideias formadas antes de conhecermos -
criados sobre a mulher, os quais geram discriminação - ou seja, separações
injustas devidas aos preconceitos)
V. Histórico de machismo/patriarcalismo na
empresa (há empresas que sempre tiverem homens nos cargos altos e por isso o
ciclo se mantém)
VI. Regras estatuídas de vestimenta
(algumas empresas possuem contratos que determinam padrões de vestimentas;
contudo, o que não estiver em contrato e for cobrado abusivamente é ilegal)
VII. Liberdade jurídica de promoção
(empresas possuem a liberdade de promover aumento de salários ou de cargos a
seus funcionários, e isso não é ilegal)
VIII. Laicidade do mercado de trabalho (as
questões religiosas podem ser ignoradas no mercado de trabalho, embora a lei
assegure liberdade de expressão religiosa. Este é um impasse complicado de
resolver)
IX. Educação em prol do machismo (ela
cria condutas que levam chefes a assediarem suas funcionárias subordinadas)
X. Baixo número de denúncias
C.Soluções para os problemas
I. Maior fiscalização para o
cumprimento de leis
II. Incentivos fiscais a empresas
que respeitem os direitos das mulheres
III. Palestras e cursos de educação
para a convivência entre gêneros
IV. Maior qualificação da mulher
para o mercado de trabalhar
V. Campanhas de incentivo ao fim da
discriminação de gênero
VI. Resgate de registros históricos
das lutas de gênero
VII. Conhecimento das leis que
regem as empresas e das leis comerciais
VIII. Humanização do mercado de
trabalho (é preciso pensar mais no lado humano e lúdico do que apenas na
produção, e isso pode gerar maior qualidade na produção; atualmente já há
empresas que focam nisso)
IX. Maior diálogo entre família e
empresa
X. Denúncias
D.Proponentes das soluções para os problemas
I. As próprias empresas
II. Governo, poder executivo e
legislativo
III. Instituições privadas e Sebrae
IV. Igrejas
V. Escolas e instituições de ensino
VI. Delegacias de apoio à mulher
VII. Grupos de apoio à aceitação da
diversidade de gêneros ou feministas
VIII. Pesquisas científicas de
cunho feminista e/ou humanista
IX. Mídia (televisão, rádio,
internet, etc)
X. Famílias
3A. TESE E ARGUMENTOS
É preciso compreender que o
texto objetivo argumentativo-dissertativo se caracteriza por apresentar um
ponto de vista claro e argumentos que o sustentam. Dissertar quer dizer mostrar
nosso ponto de vista, e por isso o tipo é argumentativo-dissertativo. Note que
em momento algum foi utilizada a expressão "eu" ou "minha
opinião". Não há necessidade disso, já que o texto escrito por alguém não
deverá tratar sobre a opinião alheia. Uma das regras mais importantes do texto
argumentativo-dissertativo é esta: nunca falar de si mesmo; a sua opinião deve
aparecer, mas como se fosse a verdade absoluta, não apenas a SUA verdade. E o
que é afirmado deve ser comprovado através de informações concretas, não
daquilo que achamos ou vivemos (afinal poderíamos estar mentindo); portanto,
para esse tipo de texto só tem validade fatos que podem ser comprovados.
Tese é o nome que recebe a ideia
central do texto, aquilo que estamos defendendo como mais importante.
Normalmente exige-se que o escritor identifique um problema. A sua tese poderá
ser: o problema tem piorado, ou tem melhorado e ainda precisa melhorar mais, ou
ele tem se mantido igual ao longo do tempo, ou há um silenciamento do problema,
etc. A tese deverá relacionar-se diretamente com um problema real; se não há
nenhum problema sendo mostrado, não há sobre o que argumentar, e seu texto pode
se tornar expositivo e fugir à proposta.
Argumentos são os motivos que
levam à tese. Normalmente é preciso selecionar apenas 1 problema e três
argumentos, e depois explicar cada um deles (porque devemos escrever a partir
da suposição de que o leitor ainda não conhece o assunto o bastante). Ao tratar
dos argumentos, devemos explicar claramente o que é cada um deles, citando
exemplos e traçando relações entre eles e fatos históricos conhecidos e
comprovados. Os argumentos devem ser fortes o suficiente para que o leitor
concorde que há um problema e que ele precisa ser resolvido.
O seu texto precisa também
apresentar ao menos uma solução para o problema. Essa solução deve ter relação
com os argumentos que foram apresentados e pode estar em qualquer parágrafo de
seu texto, embora normalmente se apresente no final dele. A conclusão de seu
texto deve aparecer no último parágrafo, e recomenda-se que ele seja positivo,
ou seja: devemos explicar de que forma as coisas serão se as soluções forem
implantadas. Isso dá ao texto um caráter mais positivo.
3B. ESTRUTURA DA REDAÇÃO
Uma redação, hoje em dia,
especialmente as avaliadas pelo Enem e, em mormente, por esta atividade, devem
ter entre 13 e 30 linhas. Menos do que isso significa que o escritor não tinha
o que escrever e mais do que isso pode ser cansativo para o leitor. Para evitar
o cansaço do leitor devemos apresentar informações realmente novas e diferentes
entre si, detalhar sempre que possível e procurar não repetir informações para
não gastar espaço à toa.
Utilize 4 parágrafos ou 3. No
primeiro, apresenta-se o assunto, e por isso o chamamos de introdução. Ele
normalmente é o parágrafo mais curto, tendo no mínimo 3 períodos (um período
vai da maiúscula inicial até o ponto). Parágrafos com um período ou dois podem
não ser identificados como parágrafos. A cada vez que mudarmos o enfoque do que
estamos falando, devemos mudar de parágrafo; se ainda estamos falando do mesmo
elemento, não mudamos de parágrafo. Se, por exemplo, estamos explicando uma
parte do problema, não saltamos linha até terminarmos de detalhar toda aquela
parte do problema. Normalmente essas explicações são realizadas no segundo e
terceiro parágrafo. Alguns textos podem aceitar até 5 parágrafos (mas não o
desta atividade). Os parágrafos centrais de um texto são usados para
desenvolvê-lo, e por isso são chamados desenvolvimento, e devem ter um tamanho
que seja entre o dobro e o triplo da introdução.
O último parágrafo precisa
realmente ser a conclusão da discussão, ou seja: o resumo de tudo, a última
ideia que permite encerrar a discussão. Na conclusão normalmente apontamos as
consequências do que dissemos anteriores e as soluções, além de traçarmos um
panorama que explique como as coisas eram e como poderão ficar quando a solução
for implantada. Estes elementos podem aumentar muito o tamanho de uma
conclusão, então é preciso selecionar aqueles que tornarão nosso texto mais
aceitável.
4. PARÁFRASE
No
texto anterior, um recurso importante é utilizado para melhorar a qualidade do
texto. Repare em todas as ocorrências da palavra "nação". Algumas
vezes, é usada a palava "Brasil", e outras, "país". Isso se
chama paráfrase.
a)
Circule todas as expressões do texto que dizem respeito à idéia de nação, país
e afins.
b)
Circule, depois, no texto, todas as expressões que se referem à infância ou
crianças.
Pesquise
textos relacionados ao assunto e selecione um. Se ele for bem escrito, você
poderá notar que um recurso importante é utilizado para melhorar a qualidade do
texto, que a substituição de uma expressão ou palavra por outras que tenham
significado semelhante. Peguemos como exemplo a palavra "nação", que
podemos, algumas vezes, substituir por "Brasil", "povo",
"país", etc. Isso se chama paráfrase.
Note
que o texto se torna menos cansativo, e se as mesmas palavras fossem repetidas,
nos daria uma impressão de que o autor não possui muito assunto. Na verdade,
podemos falar o tempo todo de um mesmo objeto, desde que não pareça que estamos
fazendo isso. A paráfrase consiste justamente em dizer a mesma coisa, mas de
outro jeito, o que enriquece muito o nosso texto. A partir de agora, passe a
reparar nos textos quando uma expressão tem o mesmo significado que outra: é
paráfase.
Como
exercício, escreva (abaixo de cada termo) após pesquisar algumas paráfrases
(mínimo 3) para os seguintes termos:
Mulher -
Mercado de trabalho - Empresa
- Cultura -
Legislação
Lutas -
Gênero - Respeito
- Diversidade -
Cargos
Histórico -
Políticas - Emprego
- Impasses -
Implantação
5.
CONSTRUÇÃO DE FRASES SOLTAS SOBRE:
[Explicação
do assunto: mulher e mercado de trabalho]
[Um
problema do mercado de trabalho]
[Relações
de gênero]
[Conscientização]
Agora,
é sua vez. Escreva 4 frases (apenas frases mesmo) sobre cada um desses
sub-assuntos acima, em seu caderno, e apresente na sua aula de redação.
6. TOPICALIZAÇÃO
Pesquise
alguns textos sobre o assunto e note que cada um deles defende coisas
diferentes. Escreva um resumo de 1 frase (curta, de 5 a 7 palavras) que
explique a coisa mais importante daquele texto. A seguir, faço esses tópicos
com um mínimo de 7 textos diferentes.
7. TRADUÇÃO DE FRASES EM TÓPICOS
Na
atividade anterior, você pode exercitar sua capacidade de reduzir um assunto ao
que ele tem de mais importante, transformando-o em tópicos. Nesta atividade,
faremos o passe seguinte: transformar um tópico em parágrafo. Como sabemos,
cada parágrafo deve ter ao menos 3 frases. Selecione 3 tópicos dos que você
listou antes ou da lista de ideias já apresentadas nesta apostila e transforme
cada um deles num parágrafo de ao menos 3 frases. Não se preocupe ainda em
fazer um texto coeso, apenas fale o que você sabe sobre esses tópicos, sem usar
a expressão "na minha opinião". Isso já será um grande progresso na
construção de redações maduras e inteligentes.
8. ADJETIVAÇÃO
Um
adjetivo é uma palavra que serve para dizer como um objeto ou ser é. Quando
tratamos de mulher, nosso assunto da unidade, podemos dizer, por exemplo, que
elas são "competentes", "inteligentes",
"consumistas", etc. Dependendo de quem escreve, muitas coisas podem
ser ditas ou poderá parecer opinião pessoal. Assim, uma frase que diga "as
mulheres submissas acabam aceitando situações degradantes de trabalho" é
uma frase mais rica do que uma que diz apenas "as aceitam essas
coisas".
Nesta
unidade, tratamos de 2 assuntos e sua relação: a mulher e o mercado de
trabalho. Sobre esse mercado de trabalho, também podemos dizer muitas coisas,
gerando diversos adjetivos.
a)
Liste 5 adjetivos (diferentes dos do exemplo acima) que se refiram às mulheres,
o que não sejam preconceituosos.
b)
Liste 5 adjetivos que se refiram ao mercado de trabalho atual.
9. CITAÇÕES E COLETA DE DADOS
Numa
redação argumentativa-dissertativa, muitas vezes queremos usar certos
argumentos, mas apenas isso não fará o leitor acreditar neles. Se usamos como
argumento aquilo que já foi dito por outra pessoa, como um especialista na
área, o que estamos dizendo ganha mais importância. Se citamos, por exemplo, a
CLT (Código de Leis Trabalhistas), nosso texto passa a ser visto como o texto
de alguém que entende de leis, mesmo que só tenhamos citado uma coisa pequena.
Se citamos uma reportagem de um jornal (da internet ou televisão), também. Se
afirmamos que 30% do orçamento de um lar, hoje, vai para produtos comprados por
mulheres, nosso texto ganha seriedade.
Ao
fazer citações, é preciso nos preocuparmos com duas coisas:
A.
Citarmos informações reais. Não adianta dizermos que 30% de algo é gasto, ou
que 100% do Brasil quer algo, se não temos como provar isso, se nenhuma
pesquisa foi feita. Só isso já é motivo suficiente para jamais usarmos num
texto a expressão "a maioria das pessoas hoje". Ao invés disso,
podemos dizer "muitas pessoas". Para sabermos se é a maioria,
precisamos de dados comprovados: e quem foi lá pesquisar a opinião da maioria?
Por isso, não devemos inventar dados ou afirmar o que achamos, mas sim o que
sabemos. E para sabermos mais, pesquisamos mais sobre o assunto. Igual a como
você faz ao estudar para uma prova.
B. O
segundo problema ocorre quando citamos o que alguém conhecido pela mídia disse
sobre o assunto e não informamos quem disse. Não adianta, por exemplo, dizermos
que existem leis para proteger as crianças se não dissermos exatamente que
leis. Se usamos o que alguém falou e não informamos quem falou, a coisa se
torna ainda mais séria e estamos cometendo o crime de plágio. O plágio acontece
quando tomamos como nossa a fala de alguém. Podemos, ao invés disso, fazer
paráfrase (dizer de outra forma), como vimos na atividade 4. Mas o ideial mesmo
é afirmarmos quem falou aquilo, por exemplo: "segundo Platão, a moral deve
reger a sociedade" ou "Para Karl Marx, o capital ou o dinheiro acabam
ganhando mais força que a opinião das pessoas" ou ainda "Para
Durkheim, o Estado deve criar leis que protegem o cidadão, e não que o façam
sofrer".
Para
fazer citações, obviamente, temos que ler outros textos. Se nunca lemos DE
VERDADE um texto em nossa vida, o que temos para citar? Falas de amigos e
conhecidos não podem ser verificadas se realmente são verdade. Por isso,
devemos evitar citações do tipo "conforme diz o ditado" ou "como
sempre disse o meu pai". Pesquise na internet ou em livros afirmações que
foram feitas por especialistas em infância, ou em propaganda ou em leis.
Escreva duas falas de 2 especialistas diferentes, e a seguir ou abaixo de cada
uma delas, entre parênteses, ponha o nome de quem disse aquilo. Você estará
fazendo citações de maneira segura e que poderão enriquecer muito o seu texto.
10. EXPLICAÇÃO
É
comum a escrita de textos que falem, por exemplo, da violência contra a mulher,
da mortalidade infantil, ou sobre o consumo de drogas ou de álcool. Muitas
vezes, o leitor não sabe o que é mortalidade infantil ou tem uma noção
diferente do que é droga. Por isso, é importante deixarmos claro o que é o
assunto de que estamos falando. Isso pode parecer desnecessário, mas é
importante lembrar que não sabemos quanto de informação nosso leitor já tem;
por isso, devemos informá-lo o máximo possível. Uma vantagem disso é que quando
explicamos isso, parecemos realmente saber muito sobre o assunto, afinal, as
pessoas sempre sabem mais do que conseguem escrever. Sobre infância, podemos,
por exemplo, citar a legislação, que define como mulher qualquer pessoa do sexo
feminino ou que tenha optado por ele, através de nome social e/ou mudança de
gênero através de cirurgia, sendo que menina é alguém com essas características
abaixo dos 12 anos de idade e moça alguém com 14 a 17 e mulher a partir dos 17.
Adolescentes são pessoas entre 12 a 17 anos. Só essas informações já explicam
bastante sobre o nosso assunto. O que é (e como é hoje) o mercado de trabalho,
por exemplo, também requer explicações, para que o leitor ao menos se lembre de
nosso assunto.
Escreva
dois parágrafos, explicando com suas palavras o que são ou como acontecem:
a) A
entrada das pessoas no mercado de trabalho
b) A
seleção de funcionários para uma empresa
c) A
mudança de cargo de uma pessoa dentro de uma empresa